
Qual a importância deste prémio para a sua carreira profissional?
Além do crescente significado do Acrobactic como um dos mais importantes concursos nacionais, este prémio acabou por afincar a minha imagem. Devo dizer que o prémio em dinheiro também ajudou muito. Era importante para mim apostar o que não tinha, na expectativa de virar a página a nível comercial, neste nome que alem de alter ego também é uma marca e precisa de um motor financeiro.
O tema escolhido para a colecção que apresentou foram as milícias iraquianas. Um tema arriscado, não?
O meu intuito a trabalhar com moda é trabalhar de alguma forma o inesperado, e usá-lo como um meio de comunicação. É importante para mim criar um background sólido e activista porque a moda não nasce da moda, é como todas as formas de expressão, uma resposta ao que se passa actualmente. O que faço é focar a minha perspectiva em temas que sejam bastante paralelos a estética no seu estado puro e, que de alguma forma transmitem a informação.
Como é o seu processo de criação de uma colecção?
O desenvolvimento inicial de conceito, pesquisa de textos e imagens é para mim imprescindível. Apurar o conceito é saber todos os passos que vou dar a seguir. Depois faço uma pesquisa de pormenores que possam ser associados ao ideal da colecção e esboço. Do desenho a peça final existem sempre diferenças espontâneas e mais estéticas para se criar a silhueta ou o impacto, são explosões que acontecem na realização das peças e traduzem mais movimento ao que foi pensado.
Como vê o cenário da moda em Portugal?
Penso que este cenário está a espera de grandes mudanças. Na industria existe um notório sedentarismo que se prende em questões clássicas e que têm um prazo de vida efémero. É depois de um momento de marasmo que se dá grandes saltos. A indústria já está a preparar-se para tal. Chegou a hora de parar de competir com a mão de obra chinesa e investir em design para entrar em um outro género de competição.
Enquanto criadores há nomes conhecidos que continuam a marcar território e a desenvolver material interessante mas, por outro lado, temos nomes que aparecem tímidos, ou subtilmente, que logo vão se transpor num movimento além moda que completa e acompanha a concorrência a nível mundial.
O que acha das parcerias crescentes entre as empresas e os estilistas?
Ainda estou a espera da minha.
Acha que os portugueses se preocupam cada vez mais com aquilo que vestem?
Desde que comecei a trabalhar com moda, antes mesmo de entrar para o curso de design de moda, noto algumas diferenças que associo ao desenvolvimento de grandes empresas internacionais, trazendo um pouco da estética espanhola (grupo Inditex), em questão de cortes e cores para o dia-a-dia português. Séries televisivas como “Sexo e a Cidade” trouxeram ao mundo uma nova estética mais arriscada, que passou a ser visível recentemente em Portugal. Há uma busca pelo manuseamento e coordenação dos elementos que nos são oferecidos, principalmente pelas grandes superfícies comerciais, e afinco de personalidade.
Quais são as saídas profissionais para os jovens que saem das escolas de estilismo?
Ao completar o curso de design de moda há uma incessante busca pela oportunidade que se define como uma pequena porta por onde quase todos querem passar, penso que quase todos almejam definirem-se como criadores. Outros, mais racionais talvez, envergam por uma questão comercial e vão directamente para a industria. Ou então, existem aqueles que dentro do estudo do desenvolvimento do design de moda associam-na em tantos outros ramos que podem estar paralelos. Sobretudo aprende-se uma forma de pensar e as possibilidades de a aplicar provém da personalidade de quem a carrega.
Quais os projectos que tem traçados para o futuro?
Guardo-os a sete chaves, mas prometo não ficar em background....
OFILHOBASTARDO as an inportant person! Interview for "O Primeiro de Janeiro"... Long time ago! English version coming soon.